Pesquisa do ISER traça novo retrato da religião e de sua relação com a vida pública no Brasil
O Instituto de Estudos da Religião (ISER) lança, em setembro de 2026, a pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, a mais abrangente já feita sobre este tema. Os dados ajudam a dimensionar não apenas as transformações do campo religioso brasileiro, mas a forma como essas transformações se relacionam com outros aspectos da vida social. Nesta página estão os primeiros dados e análises, que estarão dispostos de forma completa em março de 2027 nesta plataforma.
O mais importante desta pesquisa é que, além de apresentar números e descrever quem é o Brasil, sob o viés das religiões que nele coexistem, ela investiga como a fé organiza valores, orienta visões de mundo e se articula com escolhas políticas, práticas cotidianas e pertencimentos comunitários. O questionário também aborda o consumo de mídias digitais, comportamento político e oferece informações sociodemográficas detalhadas.
Perfil religioso
O Brasil permanece majoritariamente católico, mas a desagregação modifica a leitura desses blocos.
Os católicos dividem-se entre praticantes (31%) e não praticantes (19%). No campo evangélico, os pentecostais são 21% da população, os protestantes, 5%, e os evangélicos sem igreja, 3%. Religiões afro-brasileiras reúnem 3% e espíritas, 2%.
Em relação ao perfil etário, seis em cada dez brasileiros com menos de 35 anos não são católicos. As religiões afro-brasileiras também têm seu vínculo proporcionalmente mais declarado entre os jovens. O catolicismo reúne 65% dos brasileiros com 60 anos ou mais, mas 39% daqueles entre 16 e 34 anos. Na mesma faixa mais jovem, os evangélicos representam 33% da população.
com 60 anos ou mais
16 e 34 anos
A mudança geracional ocorre em um país no qual circular entre religiões já faz parte da trajetória de uma parcela da população. O caminho do catolicismo para as igrejas evangélicas continua presente, mas deixou de ser a única direção relevante.
Práticas religiosas
Com qual frequência os brasileiros participam de cultos e outras atividades religiosas ao menos uma vez por semana? A frequência semanal ou maior chega a 40% entre católicos e a 39% entre adeptos das religiões afro-brasileiras.
No entanto, a religião circula para além dos espaços de culto. Para 73% dos brasileiros, a Bíblia ou seus versículos são fonte de ensinamentos para a vida, prática que alcança inclusive pessoas fora das tradições cristãs.
No campo cultural, a música gospel é consumida por 67% da população e chega a 55% das pessoas sem religião. Filmes e séries religiosas são consumidos por 59% dos brasileiros; rádios cristãs e livros religiosos, por 55%; e novelas bíblicas, por 45%.
Sociedade e política
Cinquenta e quatro por cento dos entrevistados se definem como conservadores, enquanto 24% se consideram progressistas. Ao mesmo tempo, há apoio de 78% à proteção aos povos indígenas, de 75% ao Bolsa Família e de 66% à taxação dos mais ricos. Em relação ao aborto, 45% dos entrevistados são contra punir e prender mulheres que fazem aborto.
Ainda que 25% dos entrevistados vejam como positiva a diversidade religiosa brasileira e 49% sejam indiferentes, há uma parcela da população que define as religiões afro-brasileiras como “do mal” ou “demoníacas”: 36% dos evangélicos, 17% dos católicos, 14% das pessoas sem religião e 9% dos espíritas.
Religião e Vida Pública no Brasil foi idealizada e coordenada pelo ISER, com execução de campo da Quaest. O levantamento ouviu presencialmente 15 mil pessoas com 16 anos ou mais, em 412 municípios de todas as regiões do país, incluindo as 27 capitais e o Distrito Federal. Foram 28 dias de trabalho de campo, entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro. Com 184 perguntas, de total responsabilidade do ISER, a margem de erro da pesquisa é de 0,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
A pergunta específica sobre a religião dos entrevistados segue a mesma metodologia do IBGE: o entrevistador não oferece alternativas e a pessoa responde com suas próprias palavras à pergunta aberta “Qual é a sua religião ou culto?”, e depois é perguntado sobre a igreja que frequenta.
Produzir dados inéditos que permitam aprofundar esses pontos levantados é uma contribuição fundamental desta pesquisa.